24/12/2009

Mensagem natalina


Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos –

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.


Assim será a nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos –

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.


Não há muito que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez, de amor

Uma prece por quem se vai –

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.


Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte –

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.


Vinícius de Moraes

in Poema de Natal.



Amigos,


agradeço-lhes as múltiplas experiências, especialmente estéticas, vivenciadas em 2009.

Embora no espaço da virtualidade, vocês integram a minha história, habitam meus sonhos e sentimentos mais elevados.


Desejo-lhes uma noite natalina abundantemente iluminada e um Novo Ano repleto de bons fluídos e realizações.


Feliz Natal & Próspero Ano Novo,


Hercília Fernandes.


18/12/2009

uva passa



NÃO basta amor,
..........essa palavra gasta!...
..........Passa trem a vapor
..........: uva passa...



Cada vez mais eu escrevo com menos palavras.
Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever.

Clarice Lispector

14/12/2009

rio som brio


imagem po® ética se foi...

.............ficou saudade:

..............................................rio

.................................som

............................................brio


...

12/12/2009

(re)fluxo


Arte: Sr. do Vale


Não acolheu a seriedade...

.......Acreditou consistir vã miragem,

.......(re)fluxo dèjá vu da embriaguês marinha.


Ledo engano! Dir-me-ia o poeta

em cinza & luz...



11/12/2009

vivo

Arte: Patico


discurso muda

.....segundo nova rota de ventos

.....é preciso certa cor e multiplicidade

.....pra ascender vivo amor.


ponte de miudezas

Diálogo entre textos

os pés estavam calçados

.......mesmo assim se viam saltos

.......: sonhos cor-de-rosa...



....................não leve palavras

..................................................nem sempre contêm verdade

..................................................às vezes nada se diz de fato

..................................................exceto, ausência...



Para refletir:


Os positivistas ensinam a localizar, no real, o “falso”; mas não a vislumbrar, no falso, ponte para compreensão da realidade. Assim dizem os novos historiadores...


Anúncio:


Acaba de sair o resultado final do Processo Seletivo para o Doutorado em Educação da UFRN. No blog de estudos literários e educacionais Novidades & Velharias faço considerações sobre o concurso e explico os motivos do meu temporário distanciamento da Blogosfera.

Para saber mais visitem o post: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias...


09/12/2009

sem nome, rosto, lugar

Arte: René Magritte


Quero amor

.....sem nome, rosto, lugar.

.....Alguém que, se minguada lua for,

.....venha estrela.


06/12/2009

bom selvagem



É tão belo...

anelo à natural

ordem




*Arte disponível no Google Imagens.

03/12/2009

O-culto

Arte: Tamara de Lempicka



Cortei os cabelos!

Embora nem saiba desdenhar

: poesia de gaveta.


10/11/2009

Poesia em "O cordeiro pressente o lobo"


Foto de O cordeiro pressente o lobo: acervo de João Werner

Há acontecimentos que revigoram nossos espíritos; trazem luzes, tons, novos entusiasmos, viços.

Assim se deu com o conhecimento de que o poema Cascata, postado em setembro de 2008, conjuntamente à obra Na beira do rio, integraria a exposição do artista plástico paranaense João Werner.

João Werner, graduado em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina de São Paulo e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, contém rica trajetória artística. Em sua galeria acumula várias premiações e participações, individuais e coletivas, em exposições nacionais e internacionais.

Sua exposição atual, “O cordeiro pressente o lobo”, teve início neste último dia 06 e se estenderá até 06 de dezembro de 2009, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis, em Londrina-PR.

Em O cordeiro pressente o lobo, João Werner apresenta treze de suas gravuras digitais, e, recorrendo a uma crítica do novo livro de José Saramago "Caim", relembra que, assim como na literatura, as artes visuais não devem conter “a intenção de ser uma casa de ópio ou de retratar um mundo de sonho” (LEMES, in: Folha de Londrina, 05 de nov. 2009).

Assim, o artista desenvolve temas ligados à morte e à automutilação dos indivíduos, ao suicídio, ao incesto, ao uso de drogas e outros tabus considerados desagregadores; onde, segundo pontua o jornalista Francismar Lemes, do jornal Folha de Londrina, atribui certa dose de humor aos assuntos considerados anomias sociais.

No universo virtual, o artista difunde a sua arte no site Pinturas e esculturas de João Werner, cujo espaço comporta - além de suas obras - dados biográficos, ensaios e fortuna crítica, notícias, entrevistas e um espaço direcionado ao registro da veiculação de suas obras na web, onde se encontram mais de sessenta poemas que foram devidamente ilustrados a partir de suas criações.

Para integrar O cordeiro pressente o lobo, João Werner selecionou três obras que serviram de ilustração a textos poéticos, dentre elas a obra Na beira do rio e, consequentemente, o poema Cascata.

Através de contato de e-mail, João Werner fez-me a solicitação para apresentar o poema em sua exposição, o que me deixou abundantemente feliz e envaidecida. Por isso, compartilho hoje mais uma das alegrias vivenciadas no HF diante do espelho.

Passemos ao detalhamento das obras in destaque:



Na beira do rio: João Werner


Há um travo na garganta

e um travão nos olhos.


Um metro de lâmina

e uma granula de ópio.


Há uma palavra não-dita

e um silêncio gritante.


Uma ponte escondida

e um chinelo azul verdejante.


Há uma roda viva

e um mar morto


Uma verdade esculpida

e um cavalo solto.


Há coisas para serem ditas

umas - outras – melhoradas...


Uma lágrima fingida

um riacho cheio d'alma:


sebo

nervo

alheio


em cascata.



by hercília fernandes


06/11/2009

arroubo



Diálogo entre miudezas lunares



Se ela, ao cabo, perdida for...

seguir-lhe-ei, fáustico, as horas
em que, raptas, saltam amoras

: vermelho-bordô.

hercília fernandes


o ser,
fenômeno e inferno,
cai na noite
sem data




03/11/2009

Poema inédito no Maria Clara


Amigos leitores,

estou com um texto inédito no Maria Clara: simplesmente poesia, intitulado "único".




Para ler o poema clique aqui

Aproveito o post para agradecer-lhes as visitas e apreciações, e pedir-lhes desculpas pela minha ausência nos espaços poéticos que tanto aprecio. Ando numa fase tanto quanto intensa de compromissos e não tenho conseguido, como gostaria, atualizar as leituras.


Forte abraço,

Hercília.

......

Arte: Francielle.

30/10/2009

pessimismo


caminho o mundo feito caranguejo

eternas são as voltas ao ângulo de partida

onde o porvir nasce lateral e arcaico


não é fácil destituir ponto determinado

não é fácil enfrentar feras e feridas

não é fácil tornar luxo pardieiro


às vezes me sinto sem chão, sem seio

e meus dias, espero contados...



*Imagem extraída do blog de André Benjamim


24/10/2009

Pacotaria do amor no Poema Dia



Se amor se vendesse...

Eu venderia amor em muitas caixas

embrulharia cada uma

com metros de rima e, dentro, só fumaça

para o amor se esparramar, no céu, em cinza mágica.


Se amor se vendesse...

Eu venderia amor tal qual perfume na loja

com data de fabricação bem descrita

mas o vencimento... data vã, indefinida

posto não se saber, ao certo, a hora da chegada

nem quanto a dor da partida.


Se amor se vendesse...

Eu venderia amor em doses homeopáticas.

capitalizaria cada gota de orvalho

faria da rosa seu marketing necessário

e, do beija-flor, um vendedor implacável:


- Quem dá mais? Quem dá mais? Quem dá mais?...

(Na Pacotaria do Amor, você compra amor e leva de brinde uma flor;

por apenas alguns, poucos e míseros, trocados!)


Se amor se vendesse,

eu já estaria rica!...



*Para visitar o Poema Dia, clique aqui.

**Texto também publicado no site www.artigos.com, em 09/08/07.

*** Imagem extraída do Google.


23/10/2009

céu abaixo

Arte: René Magritte


A menina voou...

lembrou agruras céu abaixo

: sonho sumiu.


21/10/2009

peleja


Dante e Virgílio no Inferno: William-Adolphe Bouguereau


estou farta de tanta peleja

de tanta manobra à fria mesa

de tanta sobra em falta de gentileza

de tanta humanidade...


19/10/2009

Revista Cultural Novitas


Amigos leitores,


à convite da Editora Novitas, o poema 3 falácias de amor, publicado em o Poema Dia, integra o 2◦ número da Revista Cultural Novitas, que encontra-se sob a coordenação editorial da escritora Letícia Losekann Coelho.

Além de textos poéticos, o 2◦ número traz excelentes matérias, dentre elas o artigo “Luís da Câmara Cascudo: um provinciano incurável”.

Estou bastante feliz em participar deste número e convido a todos a conhecerem este projeto da Editora Novitas através da apreciação da Revista Cultural em formato PDF.

Para fazer o download clique aqui.



Saudações poéticas,

Hercília Fernandes.


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)