14/12/2018

É inverno...

E a chuva
não quis fazer
alvoroço
em seu coração

Mas rói até 
o último osso

dessa paixão


h.f.
14 dez./2018


07/12/2018

Como se preciso fosse

Mas há, ainda, alguma
resistência...

Como se, para garantir
a existência, preciso fosse
falar

de amor


h.f.
7 dez./2018


06/12/2018

02/12/2018

Tão somente

Fomos até o fundo
do poço

Não encontramos
palavra nem osso

para roer...

Nosso querer é
tão 
somente
um esboço:

não mata nem morre

de amor


h.f.
2 dez./2018


01/12/2018

27/11/2018

É possível que

tenha perdido
a fé

(e outra forma
qualquer
de motivação)

Pouco importa
o sentimento
ou razão,

que adianta 
um pé na estrada 
outro fincado
no chão?


h.f.
27 nov./2018


19/11/2018

Tudo já foi dito

não há novidade
alguma
em minhas linhas

até o sentimento
é prescrito

delito 
de quando vinhas


h.f.
19 nov./2018


18/11/2018

Não fizemos planos


sequer tínhamos
um plano B

como objetivar
o instante?

pedagogizar 
o sentimento?

mera ilusão...

não...
não olhávamos
juntos
na mesma direção...


h.f.
18 nov./2018


15/11/2018

Você me pede

pra desistir 
deixar isso pra lá

mas você sabe
q'eu já deixei...

já me abandonei...

se lhe chamo,
a ideia se perde
no chamado

não adianta
chorar
pelo leite derramado



h.f.
16 nov./2018


11/11/2018

Estou triste!

E nem é por uma questão
de estar

ou ser

Não há motivo pra continuar;

permanecer...


h.f.
11 nov./2018


04/11/2018

31/10/2018

Bumerangue

não amamos 
suficiente

não amamos
sequer parcialmente

sou consciente das minhas
e também suas limitações

fosse amor, 
seriam determinantes?

deve ser uma falta imensurável
de sentido

um breve aproximar do eu-outro
proibido

mas talvez não seja nada disso...

amar não tem efeito 
bumerangue

atinge a curva da libido


h.f.
31 out./2018


Agora,


diante do vazio,
sentimento inquietante


fosso hostil


h.f.
31 out./2018


30/10/2018

Apontamento


A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zangam com ela.
São tolerantes com ela.
O que eu era um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si-mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.


In: Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944.


A política acabou...

como irei suportar
os dias?

a ausência 
de sua companhia?

como irei não pensar 
em você?

(como se olvidamento fosse...)

falam de resistência...
mas pouco sabem situar o significado

resistência é amar sem saber
o amado

é urgência sem condições 
de ato

atentam contra minha vida
ideológica 
e politicamente

soubessem que morreria
de amor...

não, esse povo não sabe 
o que é resistência...


h.f.
30 out./2018


Minha forma

de amar
não lhe apetece

não lhe acontece
sensata

padece imediata


h.f.
29 out./2018


26/10/2018

Ando

com uma vontade
de você...

amor que é incapaz
de perecer

ando querendo 
viver:

de corpo 
e espírito

lhe pertencer


h.f.
26 out./2018


05/10/2018

Eu podia te amar menos

ou fazer 
vista grossa
e deitar no sereno

mas não é
reducionista
o meu sentimento

não te amo
porque odeio ou temo


h.f.
5 out./2018


30/09/2018

A gente fala

a mesma língua
mas é incapaz 
de entendimento

as intenções
são ambíguas
e voraz,
o sentimento


h.f.
30 set./2018 


29/09/2018

Queria um verso

de fazer-me
morada
em seu coração

mas não sou
sua bem amada

e todo gesto 
é vão


h.f.
28 set./2018


Os poemas

ficaram envelhecidos
esquecidos 
na poeira das gavetas

mas a poesia
é obra inacabada
inclinada a mil e uma
silhuetas


h.f.
28 set./2018


27/09/2018

Você sabe

que te chamo

quando 
a maré remansa,
esparramo

amor não cansa...

te amo


h.f.
27 set./2018


22/09/2018

Sonhei que seria

possível
que teríamos,
enfim,
um ponto final

se tratando
de nós,
tudo é tão sucessível...

etcetera e tal 


h.f.
22 set./2018


Vontade

de nau_frágil

perdição além
do itinerário


h.f.
22 set./2018


14/09/2018

Fidelidade

às vezes esqueço
que te amo

às vezes, desisto

a par disto
ou daquilo,

jamais desamo


h.f.
14 set./2018


Então,

só me ocorreu
desmando

sentimento 
que discorreu

"Cartas
a Fernando"


h.f.
14 set./2018


11/09/2018

É triste

(não) amar
Leminski


h.f.
11 set./2018


Sonhei

com sua voz
com seu sorriso
com sua pele
― falo 
onde desliso

sonhei com nós
com nossas mãos
entrecruzadas

nossas almas 
sabendo-se amadas



h.f.
11 set./2018


09/09/2018

Não falo com você...

Não há clima favorável
a um diálogo

O que há 
é um monólogo interior
instável 

Nosso querer não rima
com amor


h.f.
9 set./2018


04/09/2018

Me dê um motivo

único e simples
motivo 
para sonhar

e serei toda,
toda amor


h.f.
4 set./2018


Não posso mais sonhar

com a mesma
intensidade 
do que sentes

houve um tempo
para amar

quando éramos 
possibilidade

sementes


h.f.
4 set./2018


17/08/2018

Minha tristeza

é saber-te  
tão distante 
de mim

Quando tudo
é instante

vontade 
e necessidade 
de sentir


h.f.
17 ago./2018


Se lhe chateio

com a necessidade
de ouvir
a dimensão
inexata 
do seu sentir

não evoque 
a saudade 
sob canto alheio 

não garanto 
errata 
a um mero 
devaneio


h.f.
17 ago./2018


Amar você

é viver 
na ambiguidade
baldia

felicidade
que tristeza
irradia


h.f.
17 ago./2018


Certa vez,

chamou-me
de "meu amor"

Soou tão estranho...

A arroba 
não correspondia 
à imagem que aboba
meu canto


h.f.
17 ago./2018 


16/08/2018

Acolho

sua imagem 
possível 
do homem 
visível
que escolho 
amar

olho não mente...
tende a enfeitar


h.f.
16 ago./2018


Tenho

fome
e sede
de ti

tua 
poesia

verso
a verso

me
consumir


h.f.
16 ago./2018


11/08/2018

20/07/2018

Outra vez

Quando penso
que não,
acalanto tudo
outra
vez
tão intenso 
quanto a última
embriaguez


h.f.
20 jul./2018


15/07/2018

Não, não é abuso...

é a limitação
cotidiana
― a convivência
íntima 
com a dor

é a essência
vívida
e a porcelana 
da realidade
exterior

não, não é abuso...

é o significado
difuso  
da experiência
insípida
de uma flor 


h.f.
15 jul./2018


08/07/2018

O que há

Mas não há dor
em minhas palavras

― Há desassossego!

Pendor de quem
carrega
o peso (im)próprio
do desapego


h.f.
7 jul./2018


07/07/2018

A realidade é cinza


Não, não há um jardim ideal, momento apropriado, canção harmonicamente resolvida... Se a vida é colorida, o mesmo já não se pode afirmar da realidade. A realidade é cinza, com imprecisas variações de tonalidade. 
    

Desistência

estou constantemente 
desistindo...

desistindo de sonhar

de viver
de sentir

desistindo de amar
(d)a ideia de você em mim


h.f.
7 jul./2018


Não convém

abrir o coração

deixar fluir os sentimentos
em formas singelas de externar
o amor

não convém sentir:

a cada emoção,
está a dor a vigiar;

a punir


h.f.
7 jul./2018


04/07/2018

Cheguei ao ponto

que basta-me falar 
de amor

outro assunto 

textura 
clarão 
          exterior

acumulo...


h.f.
4 jul./2018


01/07/2018

Até parece

ainda sonho
contigo
até parece
praga 
de desafeto
antigo

náufraga, 
sigo


h.f.
1 jul./2018

30/06/2018

Poderia dizer

coisas leves
alegres
só pra te ver 
sorrir

não bastaria...

logo saberias
que estou a mentir


h.f.
30 jun./2018


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)