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30/05/2011

do sentir muito e fazer pouco

à Lê Fernand’s, poeta.



ando tão sem ânimo...
[de certa maneira entristecida]
há tanto o que dizer
'quefazer'

no entanto

as palavras parecem
[nada] me pertencer

restam-me as reticências
o amor profano
a madrugada
o escândalo em mim


o canto na primavera
a época que somos
sóis

e flores no campo


mas e você o que faz
que não repara no chão
por onde tem que passar
e pisa em meu coração?

Dominguinhos,
In fragmento de Retrato da vida

18/04/2011

acalento no Maria Clara

disseram que o mundo
iria acabar

não restaria pedra sobre pedra
ínfimo grão de areia no ar

nada me surpreendeu!...

a vida, de mim, se perdeu
quando o conheci

desde então acalento o fim
ao que flor rendeu...




*Para continuar a leitura, visitem o post aqui.

03/03/2011

ainda não



não quero abstração
+ a palavra vida

suada bem mal dita

abundância de sentido
vazio de significar ação

não almejo utopia
qualquer efemeridade

digo adeus à evasão
      m e d i d a

mãos à (ir)realidade

numa outra ordem
virá poema

não é essa
não é esse

ainda




*Imagem localizada no blog Diálogos Poéticos.

19/02/2011

(des)calça

e ela chorou...
mergulhou naquelas palavras

cem tiras



todas foram ditas
as que não vieram
não tinham razão
nesta existência

deixemo-nas às posterioridades...




*Imagem disponível aqui.

06/02/2011

borrões de rio


estou cansada

de mim
de você

da ideia de você em mim

:

dessa ausência de vida


lavrei as páginas

com olhos borrados
por lástimas

chuva de nós

nada deixei no lugar
tudo se transforma

ensopa

no borrão de rio


mesmo assim, assim, voo
não vê?

há/a saudade


*Imagem localizada aqui.

29/01/2011

impressão




Águas alargam-se...
e eu emoldurada à última paisagem, evasão, sentido

Desejava um sol noturno, um verso original,
mas quando a emoção é imensa, ínfimas são as palavras

Mal sinto a tua vastidão...
pois necessito-me mãos, dedos, lábios, movendo-me o espírito

Já não escondo sentimentos, também não os vivo...

Desalinhados são meus passos
Desafinadas agem-me as ondas

Haverá, no alto, música?...

No mar, ela entoa-me desconhecida
E eu alinho/desalinho raios então impressos/dispersos em mim



*Imagem localizada no blog Entrelinhas.
* Texto também disponível em O Gato da Odete.

20/12/2010

um a um

Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.

Cecília Meireles in fragmento de Canção
(Viagem, 1939)



saudade da época em que os rabiscos,
sendo rabiscos, caminhavam um a um
ao precipício

a palavra ia... deixava morar o sentido
sua indelével figuração...



*Imagem disponível aqui.

19/11/2010

permanência


é essa coisa lenta
que me faz disparada
alenta fogo lamento
cavalo cavalgada
(16 mar. 2010)


Arte: Aimea


há silêncio e lentidão
a sensação de tua presença
sei que estais comigo
que lembras, exemplificando,
o meu aniversário
e faz-me chegar tua afeição
que sabes dos ventos, norte-
sul, adversários
em que desdobras atenção
e nesse estado de permanência,
de ausências e águas mansas,
ouço tua voz chamando-me
à tempestade


23/09/2010

mar idos


há  mar idos

águas  não  tardam
ao  cais

entorno  declínios

geleiras  não  fundem
corpo  sais


há  mar idos

derrota

envolta  estais

27/08/2010

vela mar


arte: Nanduxa

as palavras mais belas
vieram turvas alíneas
também as cores
das coisas que não
ousamos verbo criar

toda expressividade
se revestiu de silêncio
assim como os sonhos
possivelmente críveis
à mercê das ondas
onde vela mar


13/05/2010

en.quadrados


Antes redondamente enganado
do que  enganado  ao quadrado



a poesia  sai  às férias
perdida en.quadrados
enquanto isso, poema
faz miséria: sem risos
secos e/ou molhados

hercília fernandes


11/05/2010

in.tensões




Aí se deu conta
de sua incapacidade
em apreender o óbvio:

olhos iludem se...


03/05/2010

dos iguais


diálogo entre miudezas

são tantas culpas
santo algum poderia
livrá-los
nem sob orientação
do diabo

***

Quando triste...
não ofereço bom dia,
sequer boa noite.
Reservo-me ao silêncio
E encontro torres tão
tristes quanto eu.

hercília fernandes


***

Vivo em torre
sou moça
que não espera cavalheiro
ladrada pelo dragão
antissocial.

LarAmaral
 


28/04/2010

dos tratados




é tratado de educação
de pueris de civilização
de imposto de renda
[ compra aluguel ou venda ]
de água luz gás e padaria
de Telemar [ disc pizzaria ]
de IPTU / IPVA...
e eu aqui ali querendo (a)-
fundar outro novo velho
tratado...



11/04/2010

de novo: e, daí?...




E daí que os sentimentos sejam d'Ele?
Acaso, vender-te-ia farinha na feira?!...
Amo homem só! Ele não vem...
- E, daí?...
Hiberno ano a ano e como, da Jurema, as secas
Sertão tudo inverna e veraneia
[ também outono é a primavera... ]
Pois juremo hibernando...
Mas há, ainda, as flores de mandacaru
no campo
Basta ver, caso queiras...



Texto disponível em o Bar de Ferreirinha.


05/04/2010

Nada há o que ser dito

A Fouad Talal 
por me agraciar, gentilmente, com os versos de “O último por do sol”, de Lenine.


Ele escuta silêncio.
O sentido de não palavras: das negativas às afirmações.
Compreende a longevidade nas pausas pela brevidade da demora.
Sabe que, entre-linhas, há uma ponte cujas águas vêm de fonte cristalina.
E há, ainda, a chama, o chamado e a bruma.
A névoa que recobre floresta e habita pássaro. E o pássaro voa noite adentro e se esconde no tardar dos primeiros raios.
Por que jaz o sol. Ele vem de outra ordem...

Hercília Fernandes


***


À Hercília Fernandes,
por ela existir.


Em que espelho se reflete
a essência de minh'alma?

Da janela, sorrateira
ela me sugere: calma!

Se o real é aparência
e a ilusão é verdadeira

Encontrarás na poesia
a resposta derradeira.

Fouad Talal 


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)