imagem po® ética se foi...
.............ficou saudade:
..............................................rio
.................................som
............................................brio
-------------------------------------------by hercília fernandes
imagem po® ética se foi...
.............ficou saudade:
..............................................rio
.................................som
............................................brio
Arte: Sr. do Vale
Não acolheu a seriedade...
.......Acreditou consistir vã miragem,
.......(re)fluxo dèjá vu da embriaguês marinha.
Ledo engano! Dir-me-ia o poeta
em cinza & luz...
Arte: Patico
discurso muda
.....segundo nova rota de ventos
.....é preciso certa cor e multiplicidade
.....pra ascender vivo amor...
os pés estavam calçados
.......mesmo assim se viam saltos
.......: sonhos cor-de-rosa...
....................não leve palavras
..................................................nem sempre contêm verdade
..................................................às vezes, nada se diz de fato
..................................................exceto, ausência...
Para refletir:
Os positivistas ensinam a localizar, no real, o “falso”; mas não a vislumbrar, no falso, ponte para compreensão da realidade. Assim dizem os novos historiadores...
Anúncio:
Acaba de sair o resultado final do Processo Seletivo para o Doutorado em Educação da UFRN. No blog de estudos literários e educacionais Novidades & Velharias faço considerações sobre o concurso e explico os motivos do meu temporário distanciamento da Blogosfera.
Para saber mais visitem o post: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias...”
Arte: René Magritte
Quero amor
.....sem nome, rosto, lugar.
.....Alguém que, se minguada lua for,
.....venha estrela.
O que foi?
O boi.
..........boi foi,
..........veio peão
..........: arreio...
..........by hercília fernandes
Longe demais
para greves de fome
chutes em paus de barraca
alastrar feito estrume:
..............peito
................................estaca
.....
Há acontecimentos que revigoram nossos espíritos; trazem luzes, tons, novos entusiasmos, viços.
Assim se deu com o conhecimento de que o poema Cascata, postado em setembro de 2008, conjuntamente à obra Na beira do rio, integraria a exposição do artista plástico paranaense João Werner.
João Werner, graduado
Sua exposição atual, “O cordeiro pressente o lobo”, teve início neste último dia 06 e se estenderá até 06 de dezembro de 2009, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis, em Londrina-PR.
Em O cordeiro pressente o lobo, João Werner apresenta treze de suas gravuras digitais, e, recorrendo a uma crítica do novo livro de José Saramago "Caim", relembra que, assim como na literatura, as artes visuais não devem conter “a intenção de ser uma casa de ópio ou de retratar um mundo de sonho” (LEMES, in: Folha de Londrina, 05 de nov. 2009).
Assim, o artista desenvolve temas ligados à morte e à automutilação dos indivíduos, ao suicídio, ao incesto, ao uso de drogas e outros tabus considerados desagregadores; onde, segundo pontua o jornalista Francismar Lemes, do jornal Folha de Londrina, atribui certa dose de humor aos assuntos considerados anomias sociais.
No universo virtual, o artista difunde a sua arte no site Pinturas e esculturas de João Werner, cujo espaço comporta - além de suas obras - dados biográficos, ensaios e fortuna crítica, notícias, entrevistas e um espaço direcionado ao registro da veiculação de suas obras na web, onde se encontram mais de sessenta poemas que foram devidamente ilustrados a partir de suas criações.
Para integrar O cordeiro pressente o lobo, João Werner selecionou três obras que serviram de ilustração a textos poéticos, dentre elas a obra Na beira do rio e, consequentemente, o poema Cascata.
Através de contato de e-mail, João Werner fez-me a solicitação para apresentar o poema em sua exposição, o que me deixou abundantemente feliz e envaidecida. Por isso, compartilho hoje mais uma das alegrias vivenciadas no HF diante do espelho.
Passemos ao detalhamento das obras in destaque:
Na beira do rio: João Werner
Há um travo na garganta
e um travão nos olhos.
Um metro de lâmina
e uma granula de ópio.
Há uma palavra não-dita
e um silêncio gritante.
Uma ponte escondida
e um chinelo azul verdejante.
Há uma roda viva
e um mar morto
Uma verdade esculpida
e um cavalo solto.
Há coisas para serem ditas
umas - outras – melhoradas...
Uma lágrima fingida
um riacho cheio d'alma:
nervo
alheio
Foto: Thiago La Torre
“Se ela, ao cabo, perdida for...
..........................seguir-lhe-ei, fáustico, as horas
..........................em que, raptas, saltam amoras
..........................: vermelho-bordô.
by hercília fernandes
o ser,
fenômeno e inferno,
cai na noite
sem data”
estou com um texto inédito no Maria Clara: simplesmente poesia, intitulado "único".
Aproveito o post para agradecer-lhes as visitas e apreciações, e pedir-lhes desculpas pela minha ausência nos espaços poéticos que tanto aprecio. Ando numa fase tanto quanto intensa de compromissos e não tenho conseguido, como gostaria, atualizar as leituras.
Forte abraço,
Hercília.
......
caminho o mundo feito caranguejo
eternas são as voltas ao ângulo de partida
onde o porvir nasce lateral e arcaico
não é fácil destituir ponto determinado
não é fácil enfrentar feras e feridas
não é fácil tornar luxo pardieiro
às vezes, sinto-me sem chão, sem seio
e meus dias, espero contados...
*Imagem extraída do blog de André Benjamim
Se amor se vendesse...
Eu venderia amor em muitas caixas
embrulharia cada uma
com metros de rima e, dentro, só fumaça
para o amor se esparramar, no céu, em cinza mágica.
Se amor se vendesse...
Eu venderia amor tal qual perfume na loja
com data de fabricação bem descrita
mas o vencimento... data vã, indefinida
posto não se saber, ao certo, a hora da chegada
nem quanto a dor da partida.
Se amor se vendesse...
Eu venderia amor em doses homeopáticas.
capitalizaria cada gota de orvalho
faria da rosa seu marketing necessário
e, do beija-flor, um vendedor implacável:
- Quem dá mais? Quem dá mais? Quem dá mais?...
(Na Pacotaria do Amor, você compra amor e leva de brinde uma flor;
por apenas alguns, poucos e míseros, trocados!)
Se amor se vendesse,
eu já estaria rica!...
*Para visitar o Poema Dia, clique aqui.
**Texto também publicado no site www.artigos.com, em 09/08/07.
*** Imagem extraída do Google.
Dante e Virgílio no Inferno: William-Adolphe Bouguereau
estou farta de tanta peleja
de tanta manobra à fria mesa
de tanta sobra em falta de gentileza
de tanta humanidade...
Amigos leitores,
à convite da Editora Novitas, o poema 3 falácias de amor, publicado
Além de textos poéticos, o 2◦ número traz excelentes matérias, dentre elas o artigo “Luís da Câmara Cascudo: um provinciano incurável”.
Estou bastante feliz em participar deste número e convido a todos a conhecerem este projeto da Editora Novitas através da apreciação da Revista Cultural
Para fazer o download clique aqui.
Saudações poéticas,
Hercília Fernandes.
Para acompanhar leitura
Linda rosa: Maria Gadú
Rosa vinha de mau relacionamento, mas seu coração cultivava jardim de esperanças.
No espelho da mãe, costumava observar as formas de seu corpo e, enquanto absorvia o reflexo da imagem transfigurada, lhe inquietava o espírito a responsabilidade de prover, sozinha, os dois filhos. Porém, a moça era extremamente otimista, beirava a flor dos vinte; e acreditava, fervorosamente, em manhãs frutíferas.
Certo dia, Rosa conhece um rapaz que, novamente, faz seu peito acelerar: sonhos cor-de-rosa passam a alimentar a sua retina. O moço, sério e prestativo, possuindo quase vinte anos a mais, se apresentara bem intencionado; nomeando-se qualificado e disposto a contrair família. Rosa não exitou! Com o consentimento familiar, foi-se com o distinto enamorado, levando consigo seus dois maiores tesouros.
Dias passam, Rosa acredita piamente na felicidade conjugal. Entretanto, passados cinco anos ou pouco mais, a moça começa a perceber pequenas alterações no temperamento do companheiro. Apesar de ele garantir-lhe que nada além do habitual lhe acometia, Rosa intuía que o marido deleitava prazeres mundanos... Pequenas mostras de traição confirmavam as suas suspeitas.
Pouco a pouco, Rosa foi vendo os sonhos cor-de-rosa se dissolverem em cinza aquarela. Porém, como detinha coração verdejante, reconhece que chegara a hora de virar mais uma página da sua história. Certa de sua escolha, reuni os filhos, colocando-os a par da situação. Como era de se esperar, os pequenos se puseram favoráveis à mãe, ofertando-lhe sincera afeição e solidariedade.
Quando a noite chega, Rosa foi-se ter com o marido. Ao declarar a sua decisão, o companheiro apresenta comportamento totalmente inesperado. Enfurecido, alega que Rosa deveria manter amante, mas que não deixaria o delito sem a devida punição. Batendo-lhe várias vezes a face, argumenta que se Rosa não lhe pertencesse, jamais seria de outro homem; e sucedia com os atos de violência mesmo sob os protestos dos filhos que, em vão, espancavam a porta do quarto na tentativa de acudir a mãe.
Subitamente, gritos e gemidos cessam-se e o silêncio impera na casa. No alvorecer do dia, os meninos, estranhando a ausência da mãe, pedem auxílio à vizinhança. Um senhor bastante chegado à família, prontifica-se à tarefa de verificar o casal. Ao invadir o quarto, se depara com a frieza do cenário: Rosa, inteiramente vestida de vermelho, descansava sob os braços do marido que, dormindo, guardava, em uma das mãos, punhal dourado.
Rosa vinha de bom relacionamento... descansa, hoje, no Jardim Esperança.
Nota: Personagem feminina inspirada na canção Linda Rosa, interpretada pela cantora Maria Gadú. Texto baseado, lamentavelmente, em crime ocorrido durante esta semana na cidade de Caicó-RN. As características psicológicas das personagens e situações narradas envolvendo o crime, entretanto, são ficcionais. O crime deixou-me emocionalmente chocada e abalada. Não podemos admitir barbárie, atitudes reacionárias que rebaixem ou silenciem as mulheres, mesmo que "disfarçadas" sob os signos "honra" ou "amor"...
Diego Velázquez: As meninas
As meninas comentam...
dizem o samba conter única nota
o pior é que ele nem nota!
Mas há um garoto que me corteja
se as imagens não avultam...
possui tórax de ferro e lábios de cereja.
O intrépido madrugada me espreita
resolvi abrir-lhe a guarda
tornar-me bandeja.
As meninas mudarão o discurso...
Arte: Marc Chagall
Ele só viu a frágil figura sobre o tapete. Aquela imagem lhe perseguiu durante dias. Mas ali não se encontrava a doce alma que tornava vinhas azuis. Ali não mais se viam sonhos, gozos, elevações... Vendo-a sucumbir sob deploráveis condições, sentiu-se intimamente culpado. Ao mesmo tempo, incomodava-lhe o fato de ela se apresentar permissiva. Por que cedera, tão facilmente, às suas não-admiráveis investidas?... Durante a vida preocupou-se em fazer-lhe sentir-se rei; esqueceu que, sem viço, rei não é súdito nem lei: é peça de xadrez! Convicto, saiu à rua com o coração aliviado, dizendo a si mesmo não haver algozes nem vitimados. Era preciso acompanhar a lua...
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine...
..........Ela tentou fazer-lhe reconsiderar... Acariciou-lhe os sentidos com novos desmedidos ventos de uma velha canção.
..........ne me quitte pas
..........ne me quitte pas
..........ne me quitte pas
* Ne me quitte pas fez grande sucesso, no Brasil e exterior, na bela voz da cantora e compositora Maysa, agora ganha nova roupagem na interpretação de Maria Gadú.
** Para ouvir/ver as duas interpretações brasileiras de Ne me quitte pas clique nos nomes das cantoras.
excesso nem ausência
eis, a máxima da ciência!...
um dia deixo de ser criança
apeio a pena lânguida
desacomodo...
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