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26/04/2009

EXPRESSÕES DE AFETO: Presentes dos Amigos para H.F.



Casa muda
Aos amigos


Poemas são afetos
mesmo quando brumas, frestas,
areias, águas turvas...
São acordes da infância permanente
agem, em silêncio, enquanto
casa muda...


Agradeço a todos os AMIGOS da Blogosfera que puderam comparecer ao HF diante do espelho, em razão do meu aniversário, e, gentilmente, ofereceram-me “poesia” como presente:


Moacy Cirne
Mirse Souza
Wellington Guimarães
Líria Porto
........................Fred Mattos
........................Taninha Nascimento
........................Flávia Muniz
........................Nina Rizzi
..............................................Fernando Cisco Zappa
..............................................O Profeta
..............................................Lou Vilela
..............................................Ana Roccana
...................................................................Vicente Ferreira da Silva
...................................................................Luiz de Almeida
...................................................................Maria Clara
...................................................................Adrianna Coelho
........................................................................................Jayme Bueno
........................................................................................Romério Rômulo
........................................................................................O Empírico
........................................................................................Adriana Ann Dixson


Igualmente, agradeço à Béa do Compulsão Diária e à Úrsula Avner pelo afeto expresso em mensagem. E, oferto um carinho especial à amiga Mirse Souza que colaborou, abundantemente, para os preparativos desta festa.

Seguem, conforme ordem de envio, os textos encaminhados pelos amigos poetas, a quem guardo - tamanho - sincero carinho, admiração e estima.


CINEMA PAX
(1983)

entre pedras sonolentas
o pax existiu
não existe mais
tarzans de ontem
que não voltam nuncais

Moacy Cirne


Pensei que pudesse
Encontrar alguém
que me coubesse
em laços de amizade.
Coube-me mais
Da mulher inteira
veio-me a amizade
VERDADEIRA!


Mulher-borboleta,
Menos mulher, mais borboleta,
Quando escreve. Mais mulher,
Insinuante e sinuosa,
Quando da borboleta ao ombro.

Matriarca jovem,
Um rosto nunca igual,
Um poema de silêncios,
De pausas, de...

Como seta transparente,
Como luz insinuada,
Pétalas que não fossem,
Estradas que não dessem.

Severa, segura,
Protocolar,
Acadêmica,
Carnaval, carnatal.

Wellington Guimarães


hoje tem festa
não sei o que visto

põe roupa de estrelas
de mar com peixinhos

ô mãe não chateies
não brinques comigo

ah filha esta vida
é parque é recreio

te acho bonita
de toda maneira

Líria Porto


eu pedi ao vento que te levasse uma canção
mas o vento estava zangado e disse que não

pedi ao sol, então, que te levasse o meu recado
o sol pediu desculpas, disse que estava ocupado

à lua, de joelhos, pedi que te levasse um beijo
enciumada, a lua não atendeu ao meu desejo

implorei ao oceano que te levasse meus parabéns
ele disse que não podia, disse que não estava bem

por falta de outro correio, vai tudo neste poema
leva-o o perfume das flores rubras da açucena.

Fred Mattos


Uns a chamam ORVALHO
Outros PATATIVA
Ainda, FLOR DE CAICÓ
Ou mesmo ERVILHA...
E eu - FINA BORDADEIRA –
Sempre, sempre e sempre
a chamarei de GRANDE AMIGA.

Taninha Nascimento


NASCIMENTO


Sou feita do que ainda resta ao tempo.
Ossos falam por mim:
A crueza da existência
é o que sustenta de pé
esta estrutura humana.
Tudo mais é busca de conforto.
E canto porque somente assim tem jeito.
É como alargo o coração do mundo
e expando a voz a falar no deserto.


Flávia Muniz


quero um sapeca negrinho a me pinicar
e mais as pedras em minhas costas.
café ralo e doce
- amnésia alcoólica,
flashes de sexo e drogas
(apenas fantasia)
sentir sono durante uma reunião
e tremores ao dizer da práxis
(Carne crua e dura nem se tiver)
quero cerveja quente,
a beleza de sentir a diferença de meus irmãos de luta.
quero dança,
côco e berros.
sentir meus dedos inchados,
minhas roupas molhadas,
dor de ouvido e garganta.
quero a irmandade com o movimento das gentes livres.


Nina Rizzi


para que você declamasse as sementes e as pedras que por dentro é ouro
queria poder retirar todas as perdas do seu caminho

mas quem sou eu para saber das perdas e do signo de touro
quando muito sei das pedras que em silêncio recolhi sozinho

assim vai esse poema alado afeito a teias e perfumes de jasmim
a convidar-te para jogar cinco marias with the rolling stones and dreams

Fernando Cisco Zappa


Ó chamateia que fala da saudade
Ó canção que pões um brilho nos olhos
Ó mulher que tens a forma da viola
Ó que espalhas paixões aos molhos

E o cantar da meia-noite
A todos encanta e seduz
Cantar até que morra a voz
Cantar até que haja luz

Vem tocar uma Viola de dois corações


O Profeta


CALEIDOSCÓPICA


Do giz à pena
enseja
traceja
transluz.
Vira borboleta
pira pirueta
seduz.
Caleidoscópica imagem
de um reino encantado
cujos soldados
, por entre cactos ,
entoam um blues.


Lou Vilela


A CHUVA


chuva na janela barulho do vento
quietude na casa silêncio na alma
espreito lá fora a folha que dança
e sinto o cheiro da terra molhada
vejo o menino passar distraído e
o tempo que segue sem hora marcada
me vejo menina olhando na chuva o
barco de papel a naufragar na calçada
chuva na janela barulho do vento
quietude no pranto silêncio me acalma
espreito lá fora o tempo que dança
e sinto saudades de tudo e de nada



ALEGRIA
(inédito)


há dias que nos surpreendem.

outrora,
foi um sonho de liberdade.
hoje?
é um Ser que se evade.

mas a flor renasce
cada vez que o momento marca a fluência do tempo.

vida acontece!

simples,
desprendida,
no abraço das lágrimas de mel.

em certos dias,
as águas azuis preenchem o universo do coração.

e nas abóbadas celestes,
em celebração,
os cometas fazem os arco-íris de luz.


Vicente Ferreira da Silva


TOSCANEJANDO


Manias
Manhas e
Artimanhas
Do Poeta
Que cria

Escreve
Reescreve
Recria
E ri

Na orgia
Das Palavras
Ele induz
Da pena
E do papel

A gestação
Que pari
Versos

E o Poeta
Sorrateiramente
Fecha os olhos
E sorri


Luiz de Almeida


MOTIVO


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.

Cecília Meireles.
Poema enviado por Maria Clara.


TATUAGEM
para Hercília Fernandes


sou quando voo
quando asa
quando flor

quando tudo abriu

em alma e corpo
[borboleta]
minha grafia

e meu pólen
poesia

Adrianna Coelho


GENETLÍACO À HERCÍLIA FERNANDES
(no seu aniversário, em 25 de abril de 2009)


Amiga, afinal é chegado o dia
Em que acontece tão festiva data
do teu aniversário e que retrata
Em nossos corações só alegria.

Essa felicidade que te guia,
Luz que brilha como ouro e como prata
E te faz pertencer à nobre casta,
De quem emana pura poesia.

As tuas prendas, como essa amizade
Que te acompanha por onde tu segues,
Ao lado dessa tua vocação

De viver na pureza e na bondade,
É sinal de que tu sempre persegues
Esse amor que nos toca os corações.


Jayme Bueno


posso ser vento e água numa noite.
poeta é fogo de esgarçar vitral.


Romério Rômulo, in: Matéria bruta.


.Quem,
Vazio é o homem que se escreve por ponto final.

Pois se encontra em parágrafo em branco.
Talvez em borda.
Um canto.

Já lido.
Perdido.

Pois se não.
Seria interrogação.

Então escrevo.
Rabisco e rasuro.

E é quando releio.
,que na vírgula me enxergo afinal,



“Quanto a mim sei que estou na flor da minha idade”.

Mario Quintana
Texto enviado por Adriana Ann Dixson



AMIGOS,


Eu considero os poemas expressões de afeto, mesmo tratando temas densos, profundos e escuros, já que a poesia contém uma felicidade, como nos diz Bachelard, que lhe é própria. E, VOCÊS, com suas manifestações poéticas, me trazem sempre muita alegria.


Um forte abraço em Todos e Todas!
Hercília Fernandes.



19/06/2006

Carta ao amigo



Caro amigo[1],
minhas saudações.


Hoje tenho tomado consciência que não tenho, apenas, alguns poucos anos de vida, mas, provavelmente, quatro séculos de existência.
Muitos pensamentos têm-me, insistentemente, afligido o espírito. Alguns passam a noite a rodear-me, envolvendo-me e requerem, de mim, explicações às coisas que talvez estejam além da minha compreensão. A verdade é que tenho buscado nos textos literários, a priori nos poéticos, possíveis esclarecimentos para as minhas angústias.
Tenho refletido muito sobre o homem e o seu ideal de felicidade, porque, assim, poderei compreender a mim mesma e aos valores que, historicamente, têm me acompanhado. Penso que muitas das minhas aflições decorrem dos ideais dos novos homens; exigindo de mim uma certa racionalidade para examinar os meus próprios sentimentos. A bem da verdade, é que tenho buscado esse entendimento a partir da reflexão do pensamento Iluminista que, por sua vez, tivera suas bases filosóficas importadas da Renascença:
– Como posso, meu senhor, confiar-te os mais sinceros sentimentos, sem ultrajar a nossa sã e fecunda relação? Tenho por ti uma admiração quase que divinal, porque não dizer paternal! Entretanto, é verossímil que os meus olhos já não te vêem com o mesmo olhar. A tua imagem, antes tão fria e distante e, terrivelmente, vertical, tem-se modificado, gradativamente, à luz da inteligência humana.
Contudo, meu amigo, em meio a tantos pensamentos, livros e enciclopédias, sinto-me, ainda, extremamente bucólica. Um forte sentimento idílico tem-me contagiado, remetendo-me a um passado distante, cujos homens podiam se deleitar à natureza. A bem da razão, resigno-me a imaginar, no plano da fantasia, o homem em seu estado natural, não corrompido pelos valores da civilidade. E, nesse plano, posso visualizá-lo sem que minha alma se corrompa pela artificialidade da vida mundana.
O fato, meu senhor, é que não pertenço a este tempo, mas posso-me retroceder para que minh’alma se una a tua. No plano da fantasia, tudo posso, tudo me é permitido sonhar. Posso ver-te por entre as nuvens dos meus pensamentos, posso sentir a tua presença, amar-te, adorar-te. Mas a cruel realidade, com todas as suas frívolas engenharias, afasta-nos. A contar pelo tic-tac do relógio que, insistentemente, alerta-nos a hora, pelos rigores dos ofícios, pelas exigências comuns à vida moderna.
É, meu querido, uma gama de valores diplomáticos permeia a nossa cortês relação, restringindo-nos a qualquer possibilidade de realização afetiva. Falta-nos a poesia, falta-nos o olhar sensível, não mascarado pela racionalidade científica, que submete o poeta a refugiar-se aos campos sob a condição de tornar o Real em Belo.
Novamente confesso-te que, embora meu espírito tenha nascido em meados dos “Setecentos”, a esse tempo não pertenço! Caso eu o pertencesse, não me acompanharia, hoje, tal nostalgia. Meus sentimentos se elevariam comovidos com a sensatez das Suas ilustrações poéticas; e o meu espírito não se afligiria mediante a contida emotividade de Suas liras musicais.
Não desejo mais ser a Sua Marília, não quero-me imortalizada por Seus versos, a Sua expressão de afeto tem-me sido dissimulada e oportunista. Hoje, não desejo ser a musa de Seus poemas galantes e perfeitos, pois sei que são vãs, são-lhes refúgios para as Suas copiosas e dignas responsabilidades civis.
Quero-lhe com todos os artifícios e vícios comuns a nossa civilidade; com todas as angustias d’alma. Quero-lhe instintivo, sonoro e difuso; insano, inquieto e reflexivo. Não almejo-lhe ponderado, irremediavelmente, debelado e ilustrado. Todavia, não desejo-lhe animal, rude aos modos, e ausente de significância.
Quero-lhe Senhor dos Seus pastos, entretanto, entregue, intensamente em meus braços.


Carinhosamente,
Helena.



[1] Carta da personagem Helena ao amigo Seminarista. In: Retrato de Helena (FERNANDES, 2005, p. 57-59).
"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)