Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens

22/03/2009

Colheita

Borboleta Azul

Ao meu redor
segue uma procissão
de borboletas.


Eu queria colher
tão somente uma...
uma que me dissesse
tudo e mais um pouco:

vem...



28/02/2009

Amor medonho


Não foi um sonho...
Havia mangueiras, goiabeiras, roseirais.
Açude, parede, casas na ribanceira
onde lençóis flutuavam
nos varais.

Não foi um sonho...
Havia um homem, uma mulher
arvoredos e cânticos de pardais.
Um amor medonho nas colinas, no lajedo,
nos postais.

Arte: Açude I

27/02/2008

Mania de Maria-só-zinha



Eu ainda brinco de boneca
E a minha boneca chama-se Maria.
Durante o dia, dentro de um armário;
Eu guardo, com cuidado, a minha bonequinha.
Depois cuido para que ninguém perturbe;
Nem que alguém machuque
A minha doce Maria-só-zinha.


Porque a Maria é feita de delicados panos
Cada qual com metros de bordados
e coloridos mantos.
Porque a Maria é curiosa, é formosa,
mas ainda é muito pequena.
Por isso, pode desmanchar suas tranças
e perder-se nas rendas;
Ou nas areias turvas e claras e sardentas.


Mais eu ainda brinco de boneca
Só para pentear alvos e enormes cabelos.
Fazer-lhe roupas,
inventar-lhe nomes, namorados e segredos.
Depois desmanchar tudo, sem, contudo;
Destruir-lhe os sonhos, parafraseados e adereços.


Porque eu ainda brinco de boneca
E construo casas bem azulzinhas
Para que a minha Maria-só-zinha não se sinta sozinha
E possa fazer gostosuras em sua farta cozinha.


Isso tudo porque eu brinco de boneca
E a minha boneca chama-se Maria.
É Maria que pinta em tonta-tinta as minhas curvas-linhas
É Maria que liga ponto a ponto a ponte da minha varinha.


Porque ainda sou criança e meu natural é imaginar
Porque criança que é criança,
brinca mesmo sem saber jogar.
Porque criança não se preocupa por que sonha,
nem o porquê do sonhar.
Simplesmente sonha porque nasceu para amar.


É por isso que eu digo:
- Eu ainda brinco de boneca!
É essa a minha mania!



FERNANDES, Hercília. In: Agá-Efe: entre ruínas & quimeras (2006).




"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)