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05/05/2013

brinde

Em diálogo com Noite provinciana, de Carlos Eduardo Marcos Bonfá.


Do dia nada se espera.
É à noite que, ainda mistério,
O escondido se revela.

Carlos Eduardo Marcos Bonfá.
   





costuma sair às noites de sábado

em que vagueiam as efervescências
emanadas de sua escrivaninha

correspondências de Baudelaire

iluminações de Rimbaud
sugestões des_vão de Verlaine a Mallarmé

às noites de sábado,

a cidade é dama tardia
chama estonteante que desvela cria

misto de crueza e santidade

dissidência na ordem da melancolia

às noites de sábado,

o ser é passado ao gerúndio

presente

assombro

um brinde à decadência



hercília fernandes,

3 mai. 2013



*Imagem inspirada no filme "Meia noite em Paris", localizada no site Toda letra.


12/06/2012

Aos namorados: série “Coração-balão”


 
NOVOS ARES
 
não apraz vencer prazo
por isso vou...
 
nem premeditar acaso
pássaro é vôo
 
dentro nau ainda é frágil
mas existem outros
 
mares
portos
arrecifes...
 
 
 
CORAÇÃO-BALÃO
 
a chama subverte...
desfaz lógica, poesia-ação.
 
temo ser vão...
fácil voar se leve coração.
 
leio o seu nome...
vertem balões em versos.
 
 
 
PARTILHA
 
se vão os brincos...
- vão comigo!
 
não contradigo jogos de sentido
 
choro
rio
trinco!
 
 
 
INTRIGA

alcançamos o fundo
encontramos nada
nada talvez intrigue
tudo em nós

acima,
flutuam estrelas...


Hercília Fernandes




AMANDA CASS E A SÉRIE “CORAÇÃO-BALÃO”

Amanda Cass nasceu em Auckland, Nova Zelândia, porém reside em Marlborough. É uma artista bastante criativa que se dedica à pintura em acrílico, arte digital e fotografia.

As artes que compõem esta postagem integram a série “coração-balão”. Na série, a artista se inspira no amor, na liberdade dos sentimentos e ações, na própria vida.

A personagem que acompanha as pinturas é uma menina que vê o amor em todos os lugares por onde anda. Sua alma é lúdica, poética, livre... como os pássaros que a seguem e os balões que flutuam em seus sonhos.



*Poemas de Hercília Fernandes em intertextualidade com obras da artista Amanda Cass. 

06/03/2012

amor na primavera (3)



se o amor faz bem
se a tudo, a todos, convém
por que me fazes dor?

não vês, não ouves, não sentes?

eu morreria por ti,
cortar-me-ia na primavera

por ti

ainda que o amor viesse a.gosto
e não setembro...



hfernandes




*Pra vê, ouvir, sentir: Amar alguém (Marisa Monte).



29/01/2012

(in)tocável




pela brevidade do instante,
ele vem e toca-me as mãos

porque o sonho é fina areia
também matéria de vulcão

o poeta sabe:
vento (re)move tempestade

08/10/2011

quando você se foi



até as flores, vívidas a dois,
fizeram-se plásticas

‘tão paradas e frias e mortas’



*Sugestão de leitura: Retrato, de Cecília Meireles. 

20/12/2010

um a um

Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.

Cecília Meireles in fragmento de Canção
(Viagem, 1939)



saudade da época em que os rabiscos,
sendo rabiscos, caminhavam um a um
ao precipício

a palavra ia... deixava morar o sentido
sua indelével figuração...



*Imagem disponível aqui.

19/09/2010

vila arejo

A Fouad, Líria Porto e amigos do Tertúlia Pão de queijo.


lá o tempo espera
lá é primavera
portas e janelas ficam sempre
abertas pr’ sorte entrar

Marisa Monte
(Cd Infinito particular)



há vera
vila arejo
fouad líria
tertúlia pão
de queijo

gente
a_voar


26/04/2010

lampejo



como esquecê-lo
se a cada gracejo
ganho em juízo?

amor é amor...
se escreve declínio
leio avanço

: lampejo



ParAmado:


11/01/2010

curta


foto: Sweetcharade


Sem ler-te...

tateio a poesia

em busca do olhar

último gravado

à curta retina


ora temo luz

ora escuridão

sigo-te avulto

e sonâmbulo


hercília fernandes



não seja o último jamais

mas o mais recente olhar

e para sempre destemido

à luz ou à escuridão

o perene poema infindo

a mão tateando a perfeição

da poesia que ocupa o lugar

de barco tocando o cais


fred matos



06/11/2009

arroubo



Diálogo entre miudezas lunares



Se ela, ao cabo, perdida for...

seguir-lhe-ei, fáustico, as horas
em que, raptas, saltam amoras

: vermelho-bordô.

hercília fernandes


o ser,
fenômeno e inferno,
cai na noite
sem data




"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)