06/11/2009
arroubo
09/04/2009
3 falácias de amor
I
Nego para melhor
dizer o que as mais
velhas, sisudas e gordas
carolas já estão roxas
de saber...
¡te estraño!...
II
Não falo de amor
posto ser invenção...
Falo de estranhamento
perder o senso em vale
de contemplação.
Falo de coisas insanas
e sanas também.
Nudez em ondas movediças
eterna na brevidade
vai-e-vem...
III
Até que, enfim,
descansemos...
pois que os sinos batem,
em silêncio, os doces desarranjos
de nossa profana e tardia:
in fan ti li da de.
“O que preciso e quero é atordoar-me. [...] As sensações da espécie humana em peso, quero-as eu dentro de mim; seus bens, seus males mais atrozes, mais íntimos, se estranhem aqui onde à vontade a mente minha os abrace, os tateie; assim me torno eu próprio a humanidade; e se ela ao cabo perdida for, me perderei com ela ”.
Fausto: Goethe.
20/11/2008
Quebrando pratos
Hoje eu quero quebrar os pratos
Pintar um verme na sua cor e bandeira
Triturar dentro de mim os seus rastros
Antes que eu me quebre por inteira.
Hoje eu quero quebradeira
E quero uma boa dose de veneno
A harmonia na pausa e no contra-tempo
A tristeza e alegria de uma dança grega.
Hoje eu quero me vestir de rato
Para roer sua intolerância e destreza
Para carcomer sua falsidade e tormento.
Para provocar o seu entorpecimento
Para vomitar nos calços de sua firmeza
Para tirar os cadarços de seus sapatos.
Arte: Van Gogh
** Do Livro Agá-Efe: entre ruínas & quimeras. FERNANDES, Hercília: 2006.
"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."(Gaston Bachelard)


