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17/09/2013

Poema dedicado: "Os cios do som e os sons do cio"

(Texto do poeta e crítico "Carlos Eduardo Marcos Bonfá", que dialoga com elementos do livro "Nós Em Miúdos". Editora Patuá, 2013).


Arte do livro "Nós em miúdos", de Leonardo Mathias.

A Hercília Fernandes

A história das relações é sempre lacunar.
O que preenche a deficiência ontológica
A que a abertura ao outro condena?
A consciência da carência, da falta,
Da saudade da proximidade
Imaginada e depois realizada
Pela comunicação da própria lacuna,
Pela voz da própria contingência,
Pelo desejo de discurso, discurso encorpado
Pela momentânea revolta do corpo e da consciência,
Do cogito que cogita outra presença
Porque não aceita um estado
De total permanência?
Serão os nós do eu, os nós do outro, os nós de nós
As linhas enoveladas
De uma partitura sem maestro,
Os cios do som e os sons do cio após?
Sons do cio silente como as reticências
De uma lacuna onde cabe pela ausência
A autêntica história, o autêntico amor,
A autêntica ilusão, o autêntico estro
De toda autêntica criação.

Carlos Eduardo Marcos Bonfá.



05/05/2013

brinde

Em diálogo com Noite provinciana, de Carlos Eduardo Marcos Bonfá.


Do dia nada se espera.
É à noite que, ainda mistério,
O escondido se revela.

Carlos Eduardo Marcos Bonfá.
   





costuma sair às noites de sábado

em que vagueiam as efervescências
emanadas de sua escrivaninha

correspondências de Baudelaire

iluminações de Rimbaud
sugestões des_vão de Verlaine a Mallarmé

às noites de sábado,

a cidade é dama tardia
chama estonteante que desvela cria

misto de crueza e santidade

dissidência na ordem da melancolia

às noites de sábado,

o ser é passado ao gerúndio

presente

assombro

um brinde à decadência



hercília fernandes,

3 mai. 2013



*Imagem inspirada no filme "Meia noite em Paris", localizada no site Toda letra.


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)