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06/11/2009

arroubo



Diálogo entre miudezas lunares



Se ela, ao cabo, perdida for...

seguir-lhe-ei, fáustico, as horas
em que, raptas, saltam amoras

: vermelho-bordô.

hercília fernandes


o ser,
fenômeno e inferno,
cai na noite
sem data




19/04/2009

Abastança













.........................................A saudade é-me tão intensa...
.........................................Nem mesmo as cores de Monet
.........................................e os sustos de Chagall conseguem
.........................................expressar,
com ciência e reverberação,
.........................................o caos que se ordena em grãos
.........................................e a abastança nos meus sentimentos.


18/02/2009

Bilíngue

[e por falar em formigas...]


O que posso dizer...


se tuas palavras não-ditas
vestiram-me, bilíngue, rosa partida
entrelaçada em flor
de sisal?

se há na tua língua um tropel de formigas
onde levantei um broquel suicida
capaz de fundir
manancial?


O que posso dizer...


se todas as cores de Monet cegaram-me
a retina, traindo-me as narinas entre
surtos e silêncios
de Chagall?

se depois de vender-te flores, enfileirar
flamas em frascos de
silêncios assustadores
o resto me parece
completamente
banal?

mas...
por falar em formigas...



15/02/2009

Silêncio assustador III

Arte: Marc Chagall.


Nossas bocas, metros, elos
e não-palavras
parecem nos dizer única coisa:
há estranheza fundante
no silêncio...



Silêncio assustador II


Arte: Marc Chagall.


À noite,
enquanto a lua embelece estrelas,
os elos se tornam tangíveis
e uma constelação de coisas se imprime
no estranho veludo ocular.



13/02/2009

Silêncio assustador



Arte: Marc Chagall.


A noite aparece-me
tão assustadoramente
silenciosa
que gritam-me os sentidos
uma devassidão lunar
de coisas.


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)