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06/11/2013

expansão




SORVO medito
me desfaço em dígitos
como meia dúzia de livros,
noite alarga


h.f.

23 set. 2009


30/05/2009

Re(s)postando...


— Coitada dela! Falava-lhe a voz da in-consciência.

Ela sentia-se vazia: sem cor, sem parede, sem teto, sem chão.

Faltava-lhe o ar comprimido... élan vital. Faltavam-lhe o pôr-do-sol, a primavera e a voracidade matinal. Faltavam-lhe o néctar da tarde e o solo frugal. Todas essas coisas in-sensatas que adoçam o peito de saudade...

— Coitada dela! Coitada dela!... O canto tenebroso da insistência insistia-lhe aos ouvidos.

Faltava-lhe o sexto sentido: o bruma da paixão, o pêndulo do esquecimento. Vale de larvas e flocos de prata se desdobrando em flor de cimento.

— Coitada dela, coitada dela...

Exposição fria, cruel, nua. Paisagem viva-morta n’alguma in-existente aquarela...

— Coitada dela!...



Texto postado em 13/10/07.

02/01/2007

Peso e Medida

De repente...
Não mais que de repente...

(...) E só ficaram as vestes noturnas da saudade
E pousaram, sobre mim, as escuras asas da sobriedade.

Porque o verde virou cinza
(tenho visto, não há cor pior!)
E o azul glicerina
(tenho dito: a imagem deformou-se de tanta dó).

O olhar sereno, meigo, inocente
perdeu a cor, o ritmo, o tom
Dando lugar à dúvida, à luxúria...
Ao peso e a medida da razão.

E o olhar entristecido,
embevecido, no trajeto e no passo vazio,
rio estarrecido das cores cinzas do frio coração.

Assim, haja vista!

"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)