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28/02/2009

Amor medonho


Não foi um sonho...
Havia mangueiras, goiabeiras, roseirais.
Açude, parede, casas na ribanceira
onde lençóis flutuavam
nos varais.

Não foi um sonho...
Havia um homem, uma mulher
arvoredos e cânticos de pardais.
Um amor medonho nas colinas, no lajedo,
nos postais.

Arte: Açude I

18/02/2009

Bilíngue

[e por falar em formigas...]


O que posso dizer...


se tuas palavras não-ditas
vestiram-me, bilíngue, rosa partida
entrelaçada em flor
de sisal?

se há na tua língua um tropel de formigas
onde levantei um broquel suicida
capaz de fundir
manancial?


O que posso dizer...


se todas as cores de Monet cegaram-me
a retina, traindo-me as narinas entre
surtos e silêncios
de Chagall?

se depois de vender-te flores, enfileirar
flamas em frascos de
silêncios assustadores
o resto me parece
completamente
banal?

mas...
por falar em formigas...



15/02/2009

Silêncio assustador III

Arte: Marc Chagall.


Nossas bocas, metros, elos
e não-palavras
parecem nos dizer única coisa:
há estranheza fundante
no silêncio...



Silêncio assustador II


Arte: Marc Chagall.


À noite,
enquanto a lua embelece estrelas,
os elos se tornam tangíveis
e uma constelação de coisas se imprime
no estranho veludo ocular.



13/02/2009

Silêncio assustador



Arte: Marc Chagall.


A noite aparece-me
tão assustadoramente
silenciosa
que gritam-me os sentidos
uma devassidão lunar
de coisas.


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)