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06/04/2008

Alto mar


Um mar
Uma montanha

Uma luz no horizonte

Céu âmbar

Fortaleza em alto mar.


Um homem
Uma mulher

Um cais sem porto

Estrela além-mar

Amor ainda tão moço...






26/03/2008

Retrato de Helena



Onde está Helena?
Cadê aquela voz suave, doce, serena?
Em que rosto se esconde Helena?
No mar, na tarde, na tenda?

Aonde se encontra Helena?
Será que foi com o moço passear?
Será que foi na praia se banhar?

Onde está Helena?
Onde está seu sorriso?
Na água, no peixe, no livro?

Aonde se procura Helena?
Na fumaça que encobre a manhã?
Na seda azul que envolve a maçã?

Onde está Helena?
Onde está aquela menina amena e pequena?

- Sei lá! Saiu com o moço a procurar
Uma rosa vermelha pra enfeitar
As tranças cintilantes do seu sonhar.

Onde está Helena?...




FERNANDES, Hercília: Retrato de Helena. In: ___. Retrato de Helena, Natal-RN: Natal Gráfica, 2005.


Estraga prazer:
Esse poema é texto-título do livro "Retrato de Helena", conto psicológico publicado com apoio cultural do SESC-RN e acompanhado por Cd, contendo 12 poemas musicados por Marcus Vinícius, compositor e músico instrumentista alagoano.



06/07/2007

Fiel testemunho



Não preciso de muito...

Basta um olhar
Basta um sorriso
Basta um encontro:

a Lua e o Sol no altar
tendo, no mar, um fiel testemunho.

(Não preciso de muito!...)




10/04/2007

Mar vagabundo


Há um mar em mim.

Um mar de águas revoltas.

Nuvens pesadas circulam passageiras

Areias, em fileiras, atiram-me ao fundo

quase sempre certeiras.


Há um mar em mim

E eu tantas vezes nada entendi:

Da cor que me veste olhos d'agua

E do vento que me sopra à maré baixa.


Pois há um mar em mim

E eu não tive sequer escolhas

Não pude dizer (ao mar)

que parasse com esses cantos sombrios

Nem que me deixasse a não-mercê de tais desafios.


Por que esse mar é fora da lei

Não sabe o que é sorte, nem teme solidez

Tudo sente, nada sofre e me move à embriaguês.


Por que esse mar é poço sem fundo

Quanto mais arrasta, mais revira tão doce mundo

Secando-me as águas claras em tons cinza profundos.


Isso tudo porque esse mar é vagabundo...



13/03/2007

Amor maior (aquarela)


Cantarei a esse amor
(sempre, quando)
Cantarei a ele, amor maior,
conspiração minha e desengano.


Cantarei nas tardes serenas
e nas águas turvas também.
Cantarei com extrema doçura
a esse amor que só vai e vem.


Cantarei se preciso for
para ninar a dor e o silêncio.
Não sufocar tamanho amor
nem a tarde e o firmamento.


Cantarei sem que mereças
ou, mesmo, que me peças.
Cantarei para que não esqueças
a lua, a chama e a promessa.


Mas calarei quando preciso
(sem choro, sem vela)
Fragmentos do meu riso
fina-flor-estampa na aquarela.




Imagem: Aquarela feita com papel molhado por Gabriela Seltz.
Disponível em: www.sab.org.br/med-terap/liga/aquarela2.htm



13/01/2007

Vento epistolar
















Foi-se o vento
Foi-se a alegoria
Foi-se o fragmento
Foi-se a pasmaria.

Foi-se o mar
A tempestade e seus vendavais
Foi-se o luar
A maré cheia e os óculos assaz.

Fez-se o adeus
(Sem medo, sem coragem)
Fez-se como Prometeu
À rocha da humanidade.

Foi-se, fez-se...

com água, a fronte
com fogo, o olhar
com terra, o lume:
O vento epistolar.

(Foi-se, fez-se...)



19/06/2006

Encontro nas nuvens


Até quando?
Até quando!?

Até quando o sertão virar mar,
e o mar virar sertão.
Até quando o seu olhar
deixar de ser pra mim uma tentação.

Até quando o tempo parar
e o vento nada me levar.
Como fez à moça, o vilão violento;
Deixando-a sem seu violão,
e entregue ao lamento.

Até quando o sol e a lua se encontrar,
E não houver nenhuma música
pra acompanhar.
Talvez até lá, talvez antes,
Quando for ímpar,
quando for fecundante.

Até quando ele, por fim, encontrá-la nas nuvens!




[1] Versos inspirados no poema lírico “O Violão e o Vilão” de Cecília Meireles (In: Ou isto ou aquilo: 1964) . O poema fora musicado por Marcus Vinícius e encontra-se disponível para audição na página do autor no myspace sob o título de "A viola da vida".

Para ouvir:

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=419565768



"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)