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02/02/2010

rosa de alfenim




voltou anjo, querubim
adoçou-me com flocos de
neve e aluá de gergelim
deixou-me apática, inerte
feito rosa de alfenim.




Estragar prazer
(notas de explicação que ninguém pediu...)

Na culinária nordestina se pode saborear o aluá e/ou aruá, bebida de origem indígena a base de milho, e o alfenim, espécie de doce caseiro de origem européia feito com melado de rapadura. As doceiras costumam “puxar” a pasta de rapadura até “branqueá-la” (açucarar), a fim de modelar o formato dos doces, como “rosas de alfenim” .
*Imagem: Pigmaleão e Galatéia, Jean-Leon Gérôme.

19/09/2009

Poesia-balão no Maria Clara

“pelo sim, pelo não”

poesia-balão!...




Amigos,


convido-os à leitura do quadro “postagem simplesmente poesia (12)”, intitulado “pelo sim, pelo não: poesia-balão!...”, no blog "Maria Clara: simplesmente poesia".

No artigo, apresento três textos que se destacam pelo feitio lúdico, donde se destacam os poetas Múcio L. Góes, do blog “traversuras” e Líria Porto, do “tanto mar”.

Além dos poemas lúdicos, o post traz uma breve apresentação da artista Amanda Cass, criadora da série “coração-balão” - artes então presentes aqui no HF diante do espelho.

Ademais, o artigo vem acompanhado de “estraga prazer”, isto é, de notas explicativas sobre a presença da “aliteração” nos poemas in destaque.

Será prazeroso vê-los por lá...


Hercília Fernandes.


19/02/2009

Circunstanciais


Às vezes... interessa-me a poesia
noutras, o poeta

o poeta me interessa, às vezes
noutras, a poesia
às vezes, noutras
interesso-
-me

.
.
.


Explico!...
li isso n’algum sítio, porto, diviso, vagar
do autor nada sei, exceto do seu tremular...
não me importa se faz sol, chuva ou ventania
em Madagascar
se é preto, branco, trem-de-ferro ou se usa
almíscar
só sei que a palavra Dele...
cá estou...
a ferrear!


Arte: Marta Ferreiro

02/02/2009

Calvário

(Parto III)


Entre flores, bombons, fuxicos...
fecha-se o círculo:


do
Greenwich à linha do Equador
cal

rio
!


Arte: Gustav Klimt


Estraga prazer:
(Contextualização que ninguém pediu...)

Fuxico é uma trouxinha artesanal de tecido confeccionada por bordadeiras “mulheres” que, a priori, se reuniam nas cidades do interior nordestino para costurar e, simultaneamente, fazer “mexericos”. Hoje, o fuxico tem sido fabricado em grande escala em todo o Brasil, tornando-se adereço no vestuário feminino e em objetos ornamentais.


19/01/2009

Amarga chama

Doce espera de quem ama,
amarga chama:
sopra, geme, engana.
Sorte é a dança cigana:
envolve, mente, conclama;
Uma trança de serpente,
corrói a alma demente;
trama, drama de quem sente,
grita a voz cedente.


Estraga Prazer:
(Esclarecimentos que ninguém pediu...)

O poema Amarga Chama integra o primeiro livro de Hercília Fernandes, intitulado "Retrato de Helena". Obra publicada com o apoio cultural do SESC-RN (FERNANDES, Hercília: 2005, p. 49). A formatação do poema, aqui veiculada, segue o mesmo padrão do material impresso. Para "ler" mais textos deste livro basta clicar no marcador Retrato de Helena.

15/01/2009

Noticiário



cobra - cega - mata
mata -
cobra - cega
cega - mata - cobra




Estraga prazer:
(Contextualização e questionamento que ninguém pediu...)

O texto sugere algumas possibilidades semânticas. Ao combinar três signos: cobra – cega - mata, propõe outras construções - horizontais, verticais... - que alteram a morfologia e os significados das palavras. Quantos sentidos se podem construir com as combinações frasais?

Responda se quiser...


Silogismo



?

tinha pinta rosa
rosa tinha pinta
pinta rosa tinha

!




Estraga prazer:
(Explicação "não-dicionarizada" que ninguém pediu...)

No rico vocabulário nordestino costuma-se utilizar do verbo ter, equivalente a terceira pessoa do singular do pretérito imperfeito (tinha), em um sentido substantivado que remete à maldição, praga, sina, cruz, carga, etc.


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)