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23/12/2010

do que falo


falam de natal
do caos das vitrines
das prendas das crendices
de humanização

falo de mim
de você
de você em mim

das luas que não demos por conta...



*Imagem localizada no Google.

05/03/2010

Oração herege


Em diálogo com Filosofia barata, de Adriana Godoy.




Se Deus existisse...

Ele aceitaria preces.

E diria, aos homens, que o Mal

é Divino e não herege.

Se somos a Sua imagem e semelhança,

Ele falhou na Criação.

Fomos feitos para o fracasso:

Filhos da Imperfeição.



16/07/2009

buracos com camelos...



não se ama desejando modificar

não se ama levantando o queixo, torcendo o nariz

não se ama se acreditando mais são, mais justo, mais-

que-perfeito, com maior e melhor pedigree


há múltiplas realidades

em cada uma, um universo de imaginação

há grandeza nas coisas pequenas

centros de energia no cerne das miudezas

e canto a canto um todo cósmico


[quem lhe disse que a sua moral cristã-

ocidental-burguesa seria dom, legado, herança natural?


que para ser humano deveria, antes, deixar de ser ovo, ninho,

concha, molusco; esquecimento de 'hera' animal?...]


não, não se ama só por se abster!...

não se ama só por não ser o primeiro atirador da pedra

acolher não significa se adaptar, tampouco

tapar buracos com camelos...


02/02/2009

Calvário

(Parto III)


Entre flores, bombons, fuxicos...
fecha-se o círculo:


do
Greenwich à linha do Equador
cal

rio
!


Arte: Gustav Klimt


Estraga prazer:
(Contextualização que ninguém pediu...)

Fuxico é uma trouxinha artesanal de tecido confeccionada por bordadeiras “mulheres” que, a priori, se reuniam nas cidades do interior nordestino para costurar e, simultaneamente, fazer “mexericos”. Hoje, o fuxico tem sido fabricado em grande escala em todo o Brasil, tornando-se adereço no vestuário feminino e em objetos ornamentais.


Pouco amor

(Parto II)


Acharam pouco as dores do parto...
inventaram-me o amor!



Arte: Gustav Klimt.


01/02/2009

Pedra de civilidade

À Mirze Souza



Disseram que eu era rainha,
dona da procriação e alheia vida.
Que era tentação e profanidade
e, do jardim, merecia ser banida.

Disseram que eu era divinidade,
guardiã da pureza e sabedoria.
Portadora natural de ingenuidade
e, nela, deveria ser mantida.

Disseram que eu era frágil, cativa
Que em mim havia altivez, não desmedida!
Senhora de louvor e única possibilidade
placidez e promessa de felicidade.

Disseram que eu era notória ativista,
o verso avesso da prosperidade.
Tendo a candura como meio e propriedade
deveria ser-me investida.

Disseram que eu era vã e fingida
sendo má, ter-me-ia a face cuspida.
Depois de se velar por minha sobriedade,
ter-se-ia minha alma garantida.

Disseram que eu era um ser de sensibilidade
sendo passional, facilmente iludida.
Que eu era diamante em pedra de civilidade
Pois que se cumpra, então, a sina!...



Arte: Imagens extraídas do Google / Montagem: Hercília Fernandes.


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)