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28/01/2009

Lembranças

Para Taninha Nascimento



Ele partiu.
Deixando suas vestes pelo caminho.
De quando meus olhos risonhos seguiam
E hoje, tristonhos, se sabem sozinhos.

Ele partiu.
E o meu peito é vale e é concha aberta
triturada em moinhos.
Mas a saudade é alvura em praia deserta
e alveja os meus escaninhos.



19/10/2008

Quefazer



Minha vida é o caminhar,
quefazer infinito.

Caminhos de pedras, retas, labirintos...
Dura e pérfida!
Fumaça passa em desalinho.

Minha vida não é a melhor amiga
Nem a pior conselheira...

É a caça do eu perdido em curvas
E a presa tátil nas vigas.

Dirão os que virão:
“Foi mar de ondas claras
em vales profundos”.

[Ou...]

“Glória sem brasão
riacho de lágrimas
infortúnios”...

Eu, ao longe, apenas lhes direi:
- Enxergai as folhas no barro,
no pão.

As gotas de orvalho
no prumo,
vale sem promessa, oceano sem direção.


19/08/2008

Candura


Siga o seu caminho, amor
E dispersa-me por entre as curvas...


Siga, sem levar-me ao Lácio:
na medida, no fáustico, ou na serena chuva.


Siga o seu caminho, amor
Já remoemos, lentos, a pena(s) duras.


Siga o seu caminho, amor
E, se possível for,
leve-me, apenas, um gesto de candura...



"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)