Mostrando postagens com marcador lágrimas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lágrimas. Mostrar todas as postagens

23/06/2009

nietzschianas



Acham-me triste...

dizem haver certo pessimismo

em minhas curvas e linhas.

Mas desde que Nietzsche,

em mim, chorou

não há lágrimas em minha

...................escrivaninha

há dor transmutada em

beleza.




Poema postado n’ogatodaodete.

Imagem extraída do blog:

Fazendo a Diferença.


16/02/2008

Consolo


Ela, por ele, choraria
caso pudesse enxugar as suas lágrimas.

Brandamente lhe abraçaria
para que sentisse quanto a dor pode ser temporária.

Lhe diria palavras de ternura,
mesmo que ele não visse o Sol reclamando novo dia.

Falaria coisas engraçadas,
só para vê-lo sorrir das suas anedotas sem graça.

[...]

Ela olharia fundo em seus olhos
e lhe daria, apenas, o coração!...



04/02/2008

Cancioneiro de primavera



Era primavera.
Havia pássaros e tinham borboletas.
Um grilo insistia em um monólogo.
Os raios finais da tarde acenavam para o lado noturno da hera: cancioneiro de primavera!
Havia uma menina sentada no banco da praça: a espera!
Havia um olhar distante, distraído em alguma paisagem perdida.
Havia um relógio: sem batidas!
Havia um bêbado no canto: em pranto!
Havia um chinelo azul.
Tinham tamancos cor-de–rosa e uma carta envelhecida de baralho.
Havia parede, teto, assoalho...
Marcas de pés descalços; olhares sem óculos, sem esquadros.
E, lágrimas deslizavam ao longo do corredor oblongo decorado.

04/01/2007

Marmelada


Há certos dias... em que tudo parece estar fora de lugar. Você olha em volta não enxerga nada, põe defeito em tudo (e em todos) e depois descobre que é você quem está fora de cenário.

Aí, você se pergunta: O que está acontecendo comigo? Por que esse desânimo, essa febre, essa dor a me sufocar o peito e a alma?

Então, sem muitas delongas e mais mais, você se dá conta de que é em vão tentar realizar algo. Não adianta ler, posto que nem mesmo as figurinhas dos autores irão lhe absorver. Não adianta fazer faxina na casa, visto que a vassoura, as flanelas, a bacia e a empregada já estão de mãos atadas, devido as suas mãos já tão calejadas. Não adianta ligar a TV, porque nem mesmo a novela irá lhe entreter. Não adianta também chorar, visto que suas lágrimas, de tão derramadas, já afundaram navios no mar e, até, aviões na praia.

Porém, em meio a toda essa confusão, você resiste e tenta, em vão, sair do ócio, da contramão. Tem a feliz idéia de ir para o fogão - quem sabe fazer alguma coisa gostosa, como aquela velha receita da vovó de torta - Mas é inútil! Posto que a massa - que grande palhaçada! - você não soube sequer dar o ponto. Quando a tira do forno percebe a marmelada, e se espanta com a sua cara nojenta de gosma destemperada.

Então, quando você já está a ponto de um curto-circuito, vê uma luz no fim do túnel e corre aos braços daquele fiel amigo. Ele todo atencioso, cheiroso, macio... lhe olha com aquela feição de ternura e pacificidade, e lhe diz:

- Encosta-se no meu ombro, doçura, hoje só lhe resta dormir!

"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)