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20/04/2008

Ciranda



Fui passear na roça
E, no roça-roça, enrosquei.

Fui saborear carambola
E, no embola-bola, cambaleei.

Fui capinar a lorota
E, no enrola-rola, desalinhei.





Fui dançar na roda
E, no tira-bota, cirandei.

Fui aquentar a caçarola
E, no rala-rola,
rodopiei...




inteirinha da silva!...




19/06/2006

Renúncia


Cortarei as asas das borboletas
Para que fiquem imóveis.
Para que não pousem levianas,
Fazendo ciranda, em alheios móveis.

Cortarei as asas das borboletas
Para que não percam a cor e a beleza.
Para que não busquem néctar nas flores;
Para que não vivam por vãos amores.

Cortarei as asas das borboletas
Para que definhem até a morte.
Para que mudem o seu destino e a sua sorte.

Cortarei as asas das borboletas
Para que morram sentindo as dores
Pela ausência que jaz, o néctar das flores.



(Renúncia, in: Retrato de Helena, 2005, p. 70)


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)