
08/12/2007
Algodão doce

07/06/2007
Essa coisa...

(Essa?...)
Essa que me toma inteira e não me governa!
Me faltam palavras para descrevê-la...
(Então, melhor, talvez, não tê-la!)
Poderia ser a lua
Se branca, cheia, me levasse à rua.
Poderia ser pássaro encantado
Se, ao lado, figurasse colorido cenário.
Poderia ser a chuva
Se, nela, pousasse véu de brandura.
Poderia ser nota só
Se, notada, valesse um dó!
Poderia ser fogueira
Se, lenha, queimasse a ribanceira.
Poderia, poderia, poderia...
Há algo de urgência
Há algo de silêncio
( in-de-cên-cia )
Algo vão desmedido!
Poderia...
29/03/2007
Passa vazio
Não sei o que aconteceNão sei por que essa vibração
Não sei por que esse passa vazio
Não sei por que chove, nem solidão.
E não adianta buscar respostas
É sempre a mesma chateação:
Passarinhada?...
Anda sempre acordada!
Na chuva, na mata e no ser-tão.
Não adianta saber certas coisas
(que coisas?)
Coisas que só enfraquecem o coração.
Não adianta pedir esmolas
A quem só tem ceroulas por vocação.
Não adianta quase nada...
(pois, saiba: sou nada filósofo!)
Por isso não me leve tão a sério:
Certo?
Beba-me...
(bem ao gosto, ao seu critério)
Mais...
Esqueça-me,
quando puder!
26/01/2007
Metros de chuva
arte: Boris, 1997.
Não posso dizer se a chuva passou
nem se lágrimas deixaram de brotar
em minha face então fria.
Nem se tempestades cessaram
seus cantos brios
nas noites cinza de ventania.
Não posso dizer se esqueci
tampouco se lembrarei.
Não posso dizer se sofri
porquanto se o amei.
Quisera ter a bússola do tempo
ou um paiol do teu alimento.
Quisera ter o discernimento
pra sustentar o meu riso
e o teu lamento.
Mas se chegaste ao meu domínio
trataria de recusar:
De que me vale tal envaidecimento
se meu barco segue sempre a vagar?...
Mas se fosse pro teu encantamento
eu rezaria até formar:
Uma tempestade de firmamento
com metros de chuva
à luz do meu riso e teu luar.
19/12/2006
Novos tamancos
É chegado o fim do ano.
Mais um ano...
Mais um ano...
Um ano para esquecer
Um ano para acalentar
Um ano para redescobrir.
O que seria de nós se não houvesse os relógios?
E os ponteiros e os calendários e os seus óbitos?
[...] se não existissem demarcações?
Nos olhos, nas luzes, nas sombras, nas combustões?
O que faríamos, nós, com a existência de um grau zero?
Uniríamos começo, meio, fim...
e destilaríamos nos caldeirões os seus mistérios?
[...] se deixássemos ser a chuva?
E sermos leveza, transparência, flor, candura...
e a tudo transformar?
É chegado o fim do ano
Embora eu já tenha comprado meus novos tamancos...
Não tenho nenhuma pressa em calçá-los!
"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."(Gaston Bachelard)

