12/10/2013

fogo que intimida


não houve jogo
sequer tentou a sê-lo

foi paixão

foi destempero

fogo

quando centelho


h.f.

11 out. 2013


o que intimida
são as argúcias
nesse olhar

arteiro

faúlhas de vinho
inebriado desejo


h.f.
14 nov. 2011




07/10/2013

mesmo assim


ERA um poema
sem nexo

sem início, meio
ou fim

havia,
mesmo assim,

eco
reflexo

espelho aumento de


h.f.
8 out. 2013


02/10/2013

O QUE DOEU

não foram as palavras
ditas
escolhidas uma a uma
para ferir

doeu o falseamento...


sentimento que é tanto

não convém desmentir


h.f.

02 out. 2013

29/09/2013

aceitAção



O PIOR é que concordou. Aceitou todos aqueles disparates como se incontestáveis fossem as verdades. Fê-lo bem. Já não detinha qualquer força para permanecer remando - quase sempre contra a maré.

h.f.
29 set. 2013


17/09/2013

Poema dedicado: "Os cios do som e os sons do cio"

(Texto do poeta e crítico "Carlos Eduardo Marcos Bonfá", que dialoga com elementos do livro "Nós Em Miúdos". Editora Patuá, 2013).


Arte do livro "Nós em miúdos", de Leonardo Mathias.

A Hercília Fernandes

A história das relações é sempre lacunar.
O que preenche a deficiência ontológica
A que a abertura ao outro condena?
A consciência da carência, da falta,
Da saudade da proximidade
Imaginada e depois realizada
Pela comunicação da própria lacuna,
Pela voz da própria contingência,
Pelo desejo de discurso, discurso encorpado
Pela momentânea revolta do corpo e da consciência,
Do cogito que cogita outra presença
Porque não aceita um estado
De total permanência?
Serão os nós do eu, os nós do outro, os nós de nós
As linhas enoveladas
De uma partitura sem maestro,
Os cios do som e os sons do cio após?
Sons do cio silente como as reticências
De uma lacuna onde cabe pela ausência
A autêntica história, o autêntico amor,
A autêntica ilusão, o autêntico estro
De toda autêntica criação.

Carlos Eduardo Marcos Bonfá.



"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)