04/02/2012

des.fronteiras

Em diálogo com Não sei quantas almas tenho, de Fernando Pessoa.





não sei quantas almas tenho,
fernando, quantos pessoas

me divisam

às vezes, estrangeira
peregrina solo místico

noutras, alça deforme
jura de fé e ceticismo

se me pedes calma
minh’alma venta abismo

lembra as paisagens do ser 

na altivez do espírito

mas se me pedes aridez
minh’alma é alvura

manto de ternura com qual 

se alça criança
 


hfernandes

03/02/2012

pensamento



não quero pensar no amanhã
vida é agora, 


aqui

que o acaso não se achegue
quando não tiver mais jeito



de




h.f.


02/02/2012

rebento



as mãos estão cerradas
os olhos percorrem
único horizonte
a boca é sede fome
tocaia que encanto consome

qual rebento na carcaça
brotando aquém do costume


 

hfernandes

01/02/2012

mãos dadas

.
.
.


eu não posso,
sozinha,
solucionar a crise
econômica global
o desequilíbrio
socioambiental
o imperialismo
norte-americano
e a herança
da era colonial

a fome e a miséria 

nos países africanos
e a dependência
externa
dos estados latino-
americanos

mas eu posso
unir minha língua
à sua
meu coração
ao seu espanto


.
.
.


h.f.

planejamento

  
alterar o curso do rio
destituir gavetas
pintar a cara à esfero-
gráfica vermelha
provocar sensações
de arrepio

morrer de amor
até que chegue a manhã


e o amor me tomou
de um jeito

já não sei se fico
ou voo

estou



*Foto localizada aqui.

29/01/2012

(in)tocável




pela brevidade do instante,
ele vem e toca-me as mãos

porque o sonho é fina areia
também matéria de vulcão

o poeta sabe:
vento (re)move tempestade

"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)