11/04/2009

Queda

...........

.......

............Eu te amei!...
............As pedras do paleolítico
............bem previam...

.....................Mas nossa primitividade
.....................virou poeira em frágil
.....................edificação e, das cinzas,
......................................................nenhuma Fênix
...........................................................................ressurgiu.


09/04/2009

3 falácias de amor

(escritas em noites tardias distintas, s/d)

I

Nego para melhor
dizer o que as mais
velhas, sisudas e gordas
carolas já estão roxas
de saber...

¡te estraño!...


II

Não falo de amor
posto ser invenção...
Falo de estranhamento
perder o senso em vale
de contemplação.


Falo de coisas insanas
e sanas também.
Nudez em ondas movediças
eterna na brevidade
vai-e-vem...


III

Até que, enfim,
descansemos...
pois que os sinos batem,
em silêncio, os doces desarranjos
de nossa profana e tardia:

in fan ti li da de.



O que preciso e quero é atordoar-me. [...] As sensações da espécie humana em peso, quero-as eu dentro de mim; seus bens, seus males mais atrozes, mais íntimos, se estranhem aqui onde à vontade a mente minha os abrace, os tateie; assim me torno eu próprio a humanidade; e se ela ao cabo perdida for, me perderei com ela ”.


Fausto: Goethe.


07/04/2009

Unguento


Escrevo porque não me aguento...
Os dias passam lentos e não há bandeiras
para se hastear: - “morreram os heróis,
levantaram voo os vilões!”

Restam, agora, as memórias
fatigáveis dos dias de glória e um arsenal
de unguento para escaldar pés...



06/04/2009

Desafios


Ela enfrentaria algumas
zebrinhas...
um, dois, três quilinhos
a mais: - na verdade, quatro!
uns cinco sinais de beleza
im-per-fei-ta-mente locados
no rosto; alguns pés-de-galinha,
certa papada no pescoço
e uma vasta opulência
no dorso...



Inutilmente...


os hóspedes
indesejáveis, pouco a pouco,
abandonam-me os ares
e o corpo imperfeito debate,
debalde, os apelos
da carne...



04/04/2009

Amor, ao reverso, rima...


Esses dias

(em que as dores me tomam órgãos, membros, músculos, ouvidos, dentes, faringe, e toda legião de glóbulos...)

levam-me ao recolhimento, aos sussurros e aos gemidos, à quebradeira nos ossos, a avolumar poeira nos olhos e à vermelhidão na polpa da língua...




Mas, isso não é amor. Nem, ao reverso,

rima. É gripe!...



02/04/2009

Sílabas & Intervalos (acanho II)


No outro lado da ponte...

há um coração em chamas.

Quando em urgência,

me toma os dias, as noites

as sílabas e os intervalos

da semana:



me a ca nha...




"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)