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29/04/2012

da (re)produção do não-lugar


O espaço do poder, enquanto espaço do vazio, é o espaço do interdito/interditado.
Os espaços da monumentalidade se cruzam, é o espaço do poder, e por isso “do ver”.
O espaço é construído em função de um tempo e de uma lógica que impõe
comportamentos, modos de uso, o tempo e a duração do uso.

Ana Fani Alessandri Carlos,
in O lugar no/do mundo.




a placa informa,
adverte

delimita ações,
espaços

o corpo
[essa caixa de recepções
e ressonâncias]
não extrapola interdições

as divisões que erguem
[sobre todos os ângulos
e sentidos]
ostensivos obstáculos

apesar das ânsias
[e profundezas] na/da epiderme
que requerem extinguir

muros
vazios
inter_ditos


correntezas
e
acorrentados




hfernandes


02/04/2011

anatomia do etéreo



[ não sei o que fiz
ou deixei de fazer... ]

mundo em desfronteira
teia de territórios
tudo soa familiar
confusamente transitório
e fumaça, seca, faz chover

anatomia do etéreo
fragmento, curvatura,
mal dito remédio
no/do beijo que sara
abre sutura
e, amnésia, faz mover

percebo agora
não-eu
não-você
uma soma de não-lugares
que nem a mais suntuosa cidade
a mais trágica velocidade
nos traz sentido
leva-nos, em nós, a nos pertencer



*Arte: Fada (2007), localizada aqui.

"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)