24/01/2015

Cheias




queria não pensar em você
montar acampamento em seu corpo

viveríamos sem terra, sem pressa,
sem adornos

:

unhas cheias de chãos


h.f.
27 dez./2010




15/01/2015

do que (não)


o seu silêncio
não é ausência de voz
ou grito

é fogo
estampido

tempestade do que (não) há de vir.


h.f.
15 jan./2015



14/01/2015

cada vestígio ou ideia


custei a acreditar
a esquecer
a deixar morrer...

odiei, por fim

: a mim
  a ti

cada vestígio
ou ideia

de você em mim


h.f.
14 jan./2015


13/12/2014

ausência


quando se ausenta
de casa
não sinto alívio
 alguma espécie
de prazer interior
sinto avolumar
o vazio:
da intimidade
do quarto
ao convívio exterior


h.f.
13 dez./2014


02/12/2014

(Des)pertencer


mal sinto caber-me
o meu espírito
asa
acorda-me à centelha
de outra casa
lá, portas e janelas
desvão
o teto é varão "cem" estrelas


h.f.
31 mar./2013



*Do livro Poemas de: chamados, esperas & (a)fins. Sem previsão de publicação.


29/11/2014

guitarra



Steve Clark, Def Leppard

que essa voz
aguda
rasgada
levemente dissonante

penetre-me visceral
e alucinante

da intuitividade
à racionalidade
animal

h.f.
29 nov./2014






26/11/2014

offline


Você não entendeu quando disse que a história era tardia... Pela novidade, destinava-se ao esquecimento. Você não entendeu o porquê da recusa e do meu silêncio. Evaporou na tarde difusa... sem manifesto ou lamento. Sem dar-me o direito da dúvida, de convencer-me quão vazia pode ser a vida sem você. Eu estava offline... fora da linha do tempo. Bastava um clique, um toque de alumbramento, para arrancar-me dos dias crus, − opulentos. Da nuvem espessa sobre o arco-íris da vontade. Da estiagem insensível à chuva, − à distração do vento. Eu estava offline, mas vi quando você me (des)ligou...



h.f.
26 nov. 2014




P.S.
Uma música, hoje tanto quanto piegas (ah o amor e seus paradoxos...), para quem distraidamente vive "a se morder de..."

"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)