09/02/2012

saudação



não é a minha praia...
mas, se tua for, saúdo o sol



hfernandes


Facebookianos (3)


quero uma poesia menor
dessas que não embala
sonhos

abana redes...

na cidade, nem mesmo sapos
desfrutam das coisas naturais
[e não é por falta de insetos!...]
se dê mole, disputam ração com gato
[este último sequer sabe o que é um rato!]
tudo é instrumental, artificial...
- e nós coisificados

falando nisso, cadê o peito de peru
'deformado'?...

a coisa anda tão parada...
mais que isso... só tartaruga encalhada!

[que não tem lá muita pressa,
convenhamos...]

''desisto, p(r)onto!
fecham-se as aspas''




* Miúdos escritos no Facebook,
'cem' motivos de literariedade...
*Foto: Tartaruga-estrela indiana.


08/02/2012

em_toca

.
.
.

não era raiva, era amor
desses que late, morde,
em_toca fogo consome

.
.
.

hfernandes


06/02/2012

constrangimento

.
.
.

pela primeira vez, ela sentiu-se
envergonhada

tinha cheiro de pão dormido
mas não de migalhas

recolheu, então, as insignificâncias...


.
.
.


hfernandes

05/02/2012

não era bom dia para poesia


apesar do feriado
do trem desgovernado
do sujeito composto ao lado
do entretenimento na cama
do leão que me abocanha

se(m)eias palavras





04/02/2012

des.fronteiras

Em diálogo com Não sei quantas almas tenho, de Fernando Pessoa.





não sei quantas almas tenho,
fernando, quantos pessoas

me divisam

às vezes, estrangeira
peregrina solo místico

noutras, alça deforme
jura de fé e ceticismo

se me pedes calma
minh’alma venta abismo

lembra as paisagens do ser 

na altivez do espírito

mas se me pedes aridez
minh’alma é alvura

manto de ternura com qual 

se alça criança
 


hfernandes

03/02/2012

pensamento



não quero pensar no amanhã
vida é agora, 


aqui

que o acaso não se achegue
quando não tiver mais jeito



de




h.f.


"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)