27/01/2012

vinhas, árias, agoras

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eu te leio
como alguém
principia viagens
passagens regadas em vinhas
por que tu me ensopas, agoras, lavras minha?
não sou musa inspirada à vanguarda art’mercenária
mas avulto árias quando tu me tornas,
escovas, às primas horas
das manhãs


tenho assim os dias

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25/01/2012

urgência


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e essa urgência
me sonda
me toma
faz-me soma
 
em teu olhar

livre, monto
destemido cavalo
 
alço vôo
entre as luzes
dos seus pastos

perco-me
nas trilhas do seu trem
desgovernado

e sinto-me eu
como jamais fui um dia

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a contrapelo


ando por ontens
porvires saturados

de agoras

na memória,
fragmentos riachos

tempos-espaços
não restaurados

que tu me sopras,
escovas, ao vagar


ainda que não...



*Arte: Nicoletta Ceccoli.

06/01/2012

trégua



se viesse a cavalo
branco
dar-te-ia um bando
de estrelas

e flores do campo



*Imagem localizada aqui.

23/12/2011

Novos tamancos



é chegado o fim do ano

mais um ano...
mais um ano...

um ano para esquecer
um ano para acalentar
um ano para redescobrir

o que seria de nós se não houvesse os relógios?
e os ponteiros e os calendários e os seus óbitos?

se não existissem demarcações?
nos olhos, nas luzes, nas sombras, nas combustões?

o que faríamos, nós, com a existência de um grau zero?
uniríamos começo, meio, fim...
e destilaríamos nos caldeirões os seus mistérios?

e se deixássemos ser a chuva?
e sermos leveza, transparência, flor, candura...
e a tudo transformar?

é chegado o fim do ano
embora eu já tenha comprado os meus novos tamancos
não tenho nenhuma pressa em calçá-los!...


hercília fernandes



*Arte: Salvador Dalí.
*Poema escrito em dezembro de 2006.

13/12/2011

amor na primavera (2)


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e o dantes genuíno
torna-se hino de renovação
as flores adornadas, outrora vívidas
e compartilhadas, representavam alegorias
em que se (in)venta utópica tradição
e a saudade talhada, artilharia
reacionária, intenta
consolidação

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12/12/2011

amor na primavera

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quando a revolução veio
acreditei ser possível
uma pacificação
mas você não concebia
ideologia separada da ação
seu socialismo era crítico
o meu, coração

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"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)