25/11/2011

Facebookianos (2)


minha boca felina é mel
ácida é a chuva que tu envias
e a ti recusas o céu

[Das coisas não recicláveis]


chegariam, de bom grado,
alguns versos exacerbados

carregados de sentimentalismo
e de perfume encharcados

francês, se for o caso...

[Do poema perfumado]


pra variar uma boa notícia:
baixou o preço do feijão,
do óleo, da farinha...
mas continua da classe média
a fa(r)tura da cozinha

[De quem paga a conta]


é por essas e outras coisas
que ando com uma vontade
danada
de me perder na mata
e, de lá, nunca mais voltar


[Do extremismo]


*Textos escritos no Facebook
cem intenções de literariedade...

19/11/2011

à Salva_dor Dalí


nada aflora
nada se avulta

aqui

luas se passam
em paródias

insólitas
caricaturas

à Salva_dor

Dalí



14/11/2011

o que intimida



são as argúcias
nesse olhar

arteiro

faúlhas de vinho,
inebriado desejo




*Imagem localizada aqui.

13/11/2011

com você


marcharia pelo Sudão,
pelo Iraque e a Palestina...

como os sonhos não ultrapassam
o vagão da esquina

segue este poema minguado
combinado a cigarro e cafeína


e a poesia se (des)fez
num estalar de dedos

vagar de olhos...

28/10/2011

vestida de amor


vieste estranho,
tamanho silêncio a queimar

lábios

em sonho, versos rosados
drapeados à pele castanha

a dizer-me, entranha, quão
estranha estou

isso, por tu me vestires

de amor





*Arte localizada aqui.


10/10/2011

Facebookianos


há que se ter equilíbrio
entre a lança e o arqueiro

o sonho é longínquo,
a chama?

fevereiro


< Da flecha >


quanta mediocridade, Deus meu!...
sentiu íntima vontade de avolumar-se às cinzas,

unir-se ao pó das insignificâncias


< Dos desabafos >


esperava mais...
mas - para alguns -, poesia é coisa não-séria

literariedade é panacéia
quando se trata de aplausos / platéias

e tostões...


< Dos agrados >


provocação?
apologia à cafonice?

seja brega
seja bobice

nada [ele] me disse


< Da cutucada >


e, no entanto,
há tanta poesia

basta-me lê


< Do sentir >


< Miúdos escritos no Facebook,
Cem’ intenções de literariedade... >

"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)